sexta-feira, 17 de julho de 2009


Economia brasileira precisa ouvir a ciência
qua, 15/07/09 por Miriam Leitão
Eu estou em Manaus, no campus da Universidade Federal do Amazonas, que está fazendo 100 anos. São quase sete milhões de metros quadrados de área florestal preservada, o equivalente a quase 700 campos de futebol.
Aqui está acontecendo a 61ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que tem apoio do projeto Globo Amazônia. São 170 atividades no total.
Cientistas brasileiros e estrangeiros estão aqui para apresentar as mais novas pesquisas sobre a Amazônia. Gente séria que nos diz que ainda conhecemos muito pouco da nossa Amazônia.
Ontem eu assisti uma aula de química das plantas da Amazônia. O Brasil tem 22% da biodiversidade do planeta. Grande parte está na Amazônia. Um dos cientistas disse que o Brasil tem que ocupar a Amazônia, da mesma forma que Getúlio Vargas tentou fazer, com os soldados da borracha. Agora teriam que ser os soldados da ciência: mestres e doutores.
Apenas 4,5% dos mestres e doutores do Brasil ficam na Amazônia. É preciso mais pesquisa, mais conhecimento. Precisamos conhecer tudo que a Amazônia tem para nos dar.
Um projeto que merece destaque é Rios Voadores. Passei a tarde de ontem assistindo uma conferência sobre a pesquisa. Há uma formação de umidade tão grande sobre a Amazônia que é equivalente, em água, ao que há nos rios da região. A umidade é levada pelas correntes de vento para o resto do Brasil, em forma de chuva.
O que eu aprendi é que a economia brasileira precisa ouvir mais a ciência. A discussão entre agronegócio e floresta em pé é maluca. Sem a floresta em pé, não haverá agronegócio. Os distúrbios ambientais serão tão grandes que não tem como o Brasil continuar sendo o celeiro que é, em produção de grãos. A economia precisa da Amazônia.

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